Prevenção de quedas visa garantir envelhecimento saudável com medidas simples e casa segura
A sociedade comemora o aumento da longevidade em todo o mundo, com a inversão da pirâmide etária mostrando mais pessoas acima de 60 anos e menos crianças e adolescentes. No entanto, somente acrescentar anos de vida não garante um envelhecimento saudável, lembra a médica geriatra da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Ivete Berkenbrock.
Segundo a geriatra, cerca de 28% a 35% das pessoas com mais de 65 anos sofrem quedas anualmente e, entre indivíduos acima de 70 anos, a proporção atinge 42%. O risco é progressivo e diretamente proporcional ao envelhecimento fragilizado.
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Nesta quarta-feira (24/6), é comemorado o Dia Mundial de Prevenção de Quedas, um problema de saúde pública em todo mundo, tendo em vista que a queda é um divisor de águas na vido do idoso, impactando na saúde física e mental da pessoa e muitas vezes da família.
“A prevenção de quedas começa muito antes do envelhecimento com as escolhas que a pessoa faz para a vida. Incluir uma atividade física na rotina é essencial para que você tenha músculos suficientes para te segurar numa possível queda”, alerta Dra. Ivete.
Além da questão muscular, a médica lista outros fatores que podem determinar uma queda, como a ingesta excessiva de álcool, o tabagismo, que pode trazer condições circulatórias, a baixa visão e audição, uso de medicamentos que podem trazer interações e sonolência, além de fatores externos, como a arquitetura da moradia e as condições dos passeios por onde a pessoa circula.
“A queda não é só aquela que traz uma fratura, que traz uma consequência física. E é muito importante observar que as pessoas, quando perguntadas se caem, elas dificilmente contam que caíram, porque a queda que fica registrada é aquela que trouxe uma consequência grave, que a levou ao hospital, ao pronto-socorro”, detalha a geriatra, e completa: ”a pessoa no consultório relata essa queda grave, a outra nós temos que buscar, porque tão importante quanto cair e fraturar é o fato de cair. Isso já é um sinal de que algo não está bem”, orienta.
Consequências
Além da consequência grave de uma fratura, de uma concussão cerebral, por exemplo, vem o medo de cair novamente, o que acaba levando o idoso ao isolamento, evitando sair de casa. Muitos têm receio ou vergonha de usar um apoio, como uma bengala ou andador para caminhar, o que mostra a importância de prevenir a ocorrência das quedas.
Pessoas idosas que vivem em Instituições de Longa Permanência caem com maior frequência dos que as que vivem na comunidade. Aproximadamente 30% a 50% das pessoas que vivem institucionalizadas sofrem quedas a cada ano, e 40% delas experimentam quedas recorrentes.
As quedas e os ferimentos subsequentes são importantes problemas de saúde pública que muitas vezes requerem atenção médica. Elas respondem por 20% a 30% dos ferimentos leves, e são causa subjacente de 10% a 15% de todas as consultas aos serviços de emergência. Mais de 50% das hospitalizações relacionadas a ferimentos ocorridas entre as pessoas com mais de 65 anos de idade têm essa causa.
Números
De janeiro de 2025 a abril de 2026, foram registrados no sistema de informações hospitalares do SUS (SIH/SUS), mais de 258 mil internações de pessoas idosas em decorrência de quedas em todo país. Em 2025, 8,5 mil quedas de idosos resultaram em morte.
“O impacto socioeconômico é profundo, tanto para o SUS quanto para o sistema suplementar de saúde, além de sobrecarregar as famílias. A perda da autonomia ou o surgimento de um grau de dependência após uma fratura impõe aos familiares a necessidade de reorganização da rotina de cuidados” destaca a geriatra da SMS.
Segundo ela, dada a complexidade do problema, a prevenção é a estratégia mais eficaz.
Dicas de Prevenção
- Adaptação do lar: a maioria das quedas ocorre dentro de casa; instale barras de apoio no banheiro, retire tapetes soltos, melhore a iluminação e utilize fitas antiderrapantes nos degraus.
- Saúde visual: faça exames oftalmológicos regulares; problemas na visão dificultam a percepção de obstáculos.
- Revisão de medicamentos: alguns remédios podem causar tontura ou sonolência; verifique regularmente com o médico as medicações em uso.
- Exercícios físicos: pratique atividades focadas em fortalecimento muscular, flexibilidade e equilíbrio (como hidroginástica, pilates ou caminhada orientada).












