Texto: Fabiana Fernandes
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
As irmãs curitibanas Maristela, Andréia, Márcia e Vanessa são professoras da rede municipal de ensino da Prefeitura de Curitiba com muito orgulho. Elas fazem parte do contingente de 21,8 mil mulheres servidoras da Prefeitura de Curitiba e que representam 80% do total, segundo levantamento da Secretaria de Gestão de Pessoal. Só na Educação, as mulheres são 14,4 mil. Lá, as trabalhadoras são 93,8% do total de pessoas.
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Cada uma das irmãs construiu uma trajetória profissional a seu modo, de acordo com as oportunidades que cada uma teve, e todas guardam no coração a lembrança da mãe, Maria Goreti Peça, que dizia para as filhas: façam magistério, sejam professoras e não dependam de ninguém. Ela também incentivou que fizessem concurso na Prefeitura de Curitiba.
Maria Goreti estudou até a antiga 4ª série e, segundo as filhas, foi exímia catequista. “Minha mãe era conhecida na comunidade”, diz Andréia. “No íntimo, acho que ela queria ser professora também”, opina Márcia.
O pai das irmãs que cresceram no Capão Raso, José Oswaldo Peça, estudou até a 2ª série e foi caminhoneiro. Pai e mãe sempre participaram da vida escolar das filhas.
A primeira da fila
Além do apelo da mãe, o caminho em direção à educação teve a influência da irmã mais velha, Maristela Peça Teodoro, de 50 anos.
“Quando eu tinha 8 anos, numa pesquisa que a escola estava fazendo com os alunos de casa em casa, eu disse: quando eu crescer, quero ser professora como a professora Ondina (Rocha)”, contou.
“Ondina foi minha professora por dois anos seguidos, na 1ª série, porque eu reprovei e fui aluna dela duas vezes. Nunca a esqueci. E o sonho de ser professora também não saiu da minha cabeça.” As primeiras “alunas” da pequena Maristela foram as irmãs.
Antes de ser servidora da Prefeitura, Maristela começou como estagiária de uma escolinha de madeira já no primeiro ano do magistério. “Eu já trabalhava e só fiz o concurso da Prefeitura por insistência de uma amiga, que pagou a inscrição pra eu fazer.”
Ela lembra ainda que começou na Escola Municipal Professora Jurandyr Mockell, no Pinheirinho, e lá passou mais de 20 dos quase 30 anos da sua trajetória profissional.
E para quem pensa que depois de tanto tempo não dá para aprender algo novo, ela revela. “Desde 2021 estou no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Lourdes Araújo Canet, no Capão Raso, onde sou diretora. Foi a minha primeira vez na Educação Infantil e foi uma grande descoberta. A base está aqui, nesta fase”, diz a professora que, quando criança, não frequentou as turmas de Educação Infantil. Ela começou direto na 1ª série.
Segunda-feira das irmãs
A caçula Vanessa Peça, de 39 anos, destaca que a precursora Maristela também foi uma grande incentivadora das irmãs.
“Minha irmã pagou a taxa de inscrição e me levou para fazer um dos três concursos da Prefeitura. E depois que a gente é picada pela Educação, é impossível sair”, defende ela, que é atualmente diretora do CMEI Barigui, na CIC.
Dos 15 aos 20 anos de idade, Vanessa foi auxiliar em escolinha particular. Em 2007, fez o primeiro concurso, para ser educadora na Prefeitura de Curitiba. Depois fez mais dois para profissional do magistério, em 2012 e 2014.
Formada em Educação Física e Pedagogia, ela conta que nos encontros das irmãs é impossível não falar sobre educação. “Desde que nossa mãe faleceu, temos um acordo: toda segunda-feira a gente se encontra – só as quatro, mais ninguém. E a gente fala de tudo, incluindo o trabalho. Uma apoia a outra porque a gente entende a realidade de cada uma”, detalha.
A sala de aula é meu lugar
Aos 47 anos, Andréia Peça Moreira é hoje professora convicta. “Estava relutante no começo, mas gostei muito do magistério. No 2º ano, comecei a estagiar no contraturno dando reforço escolar num orfanato”, lembra. “Hoje eu posso dizer que gosto mesmo da sala de aula.”
Antes de ingressar na Prefeitura, Andréia trabalhou por dez anos em escola particular. Por insistência da mãe, fez o concurso e tudo se encaixou perfeitamente quando ela foi demitida da escola onde trabalhava, dois meses antes de ser nomeada como professora municipal.
Andréia avalia que nesses 16 anos de Prefeitura, a educação mudou. “Além do processo de aprendizagem que se atualizou, as famílias estão organizadas de jeitos diferentes. Muitas crianças têm duas casas, por exemplo, e em muitos casos a guarda é dos avós”, cita.
Atualmente, Andréia é professora do 2º ano na Escola Mirazinha Braga, no Bom Retiro.
“Eu queria ser como a Maristela”
Márcia Peça, 45, sempre teve a convicção da importância da educação em sua vida. Quando ainda fazia o magistério, Maristela a levava junto sempre que podia. “Maristela tinha o dom. E eu queria ser como ela. Fiz magistério porque eu admirava que ela já trabalhava. Enquanto estudava, eu já dava aula particular. O concurso, eu fiz no último ano da faculdade de Pedagogia”, declara ela que é servidora há 20 anos.
Márcia ajudava Maristela a preparar materiais que a irmã utilizava em sala de aula com seus alunos. “A Márcia estava sempre comigo”, conta Maristela.
A Regional Tatuquara tem lugar especial no coração de Márcia. “Sempre gostei daquela comunidade, as crianças demonstram carinho por nós”, observa ela que começou trabalhando na Escola Santa Ana Mestra, no Campo de Santana, escola que mal tinha ônibus. “Passava a cada 40 minutos. A gente usava o ônibus do professor”. Na época, o bairro pertencia à Regional Pinheirinho.
Atualmente, Márcia leciona para a turma de 2º ano da Escola Vila Zanon, localizada no bairro Tatuquara.
