No mês em que a campanha Setembro Amarelo chama a atenção para a importância da prevenção ao suicídio, a Secretaria de Gestão de Pessoal da Prefeitura de Curitiba convida os servidores à reflexão sobre o tema.
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De acordo com legislação federal, no Brasil, além da campanha Setembro Amarelo, foram instituídos, em 2025, o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação (17/9) e o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio (10/9).
Segundo o Ministério da Saúde, o suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial, mas pode ser prevenido. O órgão do governo federal destaca a importância de reconhecer sinais de alerta em si e em pessoas próximas.
Nem sempre quem está passando por um momento difícil consegue falar sobre o que está sentindo. Algumas mudanças de comportamento podem indicar que uma pessoa precisa de atenção e acolhimento.
“É preciso ouvir o outro, acolher, sem julgar. Aqueles que precisam, devem buscar ajuda diante de situações de sofrimento emocional. A campanha é um convite para que nós possamos conversar sobre saúde mental”, afirma a psicóloga do Departamento de Saúde Ocupacional da SMGP, Erliete Bernardi Melinski. Ela lembra que a iniciativa também busca combater o estigma em relação ao tema.
De acordo com a equipe de psicologia e serviço social da SMGP, cuidar da saúde mental é tão importante quanto cuidar da saúde física.
“Momentos de estresse, tristeza, ansiedade e cansaço fazem parte da vida, mas quando o sofrimento começa a interferir na rotina, nos relacionamentos ou no bem-estar, é importante ficar atento e buscar apoio”, exemplifica a psicóloga.
Pesquisa
O ambiente de trabalho pode ter um papel importante no bem-estar e na saúde mental das pessoas. Entre novembro de 2025 e março de 2026, a SMGP realizou uma pesquisa para identificar o perfil da saúde mental dos servidores municipais, de acordo com a sua secretaria. Mais de 4,6 mil pessoas responderam a pesquisa. Quem participou, recebeu uma pontuação e um breve resumo da sua saúde nos 30 dias anteriores.
Desde a sinalização de pessoas que precisavam de atendimento, mais de 500 servidores já foram recebidos individualmente por algum integrante da equipe de psicólogos do Departamento de Saúde Ocupacional.
Com o mapeamento, a SMGP também levou ao conhecimento das secretarias uma análise de como está a saúde mental dos servidores. Ainda que este tenha sido um retrato momentâneo, trouxe informações relevantes para que políticas ocupacionais sejam desenvolvidas.
A Pesquisa de Saúde do Servidor foi organizada com base em um modelo proposto pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e aprovada pelo Comitê de Ética da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
A pesquisa de saúde mental é diferente da atual pesquisa de riscos psicossociais, em andamento, que atende a norma regulamentadora (NR-1) que trata do gerenciamento de riscos ocupacionais e que tornou obrigatória a inclusão dos fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho.
Limites
A equipe do Departamento de Saúde Ocupacional destaca ainda que o cuidado com a saúde mental precisa ser algo contínuo.
“Precisamos reconhecer nossos limites e manter uma rede de apoio, que pode ser estar na família, entre amigos, no ambiente de trabalho, em outros grupos que tenhamos convivência. Pedir ajuda não é fraqueza”, enfatiza a psicóloga Sayuri Schmidt.
Sinais e prevenção
Especialistas explicam que quando as pessoas passam por cansaço físico ou emocional constante ou situações de alto nível de estresse, o corpo começa a apresentar alguns sinais que indicam que algo precisa ser mudado, para melhorar a qualidade de vida.
O Ministério da Saúde reforça que esses sinais não devem ser analisados de forma isolada e que não existe uma fórmula para identificar uma crise suicida. A presença de vários sinais, especialmente quando representam uma mudança no comportamento habitual da pessoa, deve ser observada com atenção.
Conheça alguns sinais de alerta
Mudanças frequentes de humor
Dificuldade para dormir ou descansar
Perda de interesse por atividades que antes proporcionavam prazer
Isolamento ou vontade de se afastar das pessoas
Sensação frequente de sobrecarga
Dificuldade para lidar com situações do dia a dia
Sofrimento que persiste ou começa a interferir na rotina
Confira algumas formas de preservar a saúde mental
Reserve momentos para você: cuide do sono, busque tempo para atividades que proporcionem prazer e relaxamento. Nem todo momento do dia precisa estar relacionado às obrigações
Cuide do corpo e da rotina: pratique atividades físicas, mantenha uma alimentação equilibrada e procure estabelecer uma rotina que favoreça seu bem-estar
Respeite seus limites: reconheça sinais de cansaço e sobrecarga. Nem sempre é possível dar conta de tudo, e respeitar seus limites também é uma forma de autocuidado
Fale sobre o que está sentindo e cultive relações: compartilhar preocupações e emoções com alguém de confiança pode ser o primeiro passo para buscar apoio. Manter relações de apoio também contribui para o bem-estar
Procure ajuda quando precisar: não é necessário esperar que o sofrimento se torne insuportável. Psicólogos, psiquiatras, médicos e outros profissionais podem oferecer suporte adequado
Se necessário, busque acompanhamento profissional
Onde buscar ajuda para a saúde mental
CVV – Centro de Valorização da Vida
Telefone: 188
Atendimento gratuito e sigiloso. 24 horas
SAMU
Telefone: 192
Para situações de urgência e emergência. 24 horas
UPAs – Unidades de Pronto Atendimento – para casos graves. 24 horas
SUS Curitiba
As Unidades de Saúde são a porta de entrada para o atendimento em saúde mental na rede municipal
Saúde
Setembro Amarelo reforça a importância do cuidado com a saúde mental
Campanha nacional de prevenção ao suicídio chama atenção para sinais de sofrimento. Se isso acontecer, é preciso compartilhar e procurar ajuda