Três membros da família Brunetta foram presos em uma operação de combate à corrupção em Curitiba, suspeitos de fraudar licitações públicas. Eles teriam ganho mais de R$ 226 milhões em contratos com a Prefeitura para serviços de zeladoria, com R$ 189 milhões já pagos. A operação incluiu 18 mandados de busca e apreensão em Curitiba e cidades vizinhas, além do bloqueio de R$ 12 milhões em bens e a proibição cautelar de contratações públicas.
A investigação aponta que um servidor da Prefeitura, que trabalha no Departamento de Produção Vegetal, estaria direcionando licitações da Secretaria Municipal do Meio Ambiente. A empresa Southern Mowing Serviços, um dos alvos, estava responsável por várias funções de limpeza pública em Curitiba. Um contrato de R$ 16 milhões que a Southern venceu na gestão anterior foi contestado e a decisão para rescindir o contrato foi tomada após uma auditoria interna.
As fraudes envolviam o uso de “laranjas” para registrar empresas em nome de terceiros, o que permitiu à família Brunetta continuar participando de licitações, apesar de proibições judiciais resultantes de investigações anteriores. O prefeito Eduardo Pimentel determinou o afastamento imediato do servidor indicado na investigação e informou que a Prefeitura está colaborando com as autoridades. O G1 Sul não conseguiu contato com os envolvidos para comentários.
Segundo a investigação, em 2018, cinco empresas da família participaram de um mesmo processo licitatório, vencido pelo próprio grupo. A conduta foi considerada competição desleal, resultando na primeira fase da operação em 2020. Os envolvidos foram condenados em primeira e segunda instância por frustração do caráter competitivo do certame e falsidade ideológica.
“A prefeitura seria uma vítima, uma vez que durante as licitações ela visa alcançar o maior número de empresas, ter contratos mais vantajosos, e essa prática acaba prejudicando a prefeitura”, afirmou a delegada Tais Melo.
Mesmo impedidos judicialmente de firmar novos contratos com a administração pública de Curitiba e da Região Metropolitana, os suspeitos seguiram com o esquema criminoso utilizando empresas em nome de laranjas.