KIT MÍDIA Contato

por: Marcio Nato Rodrigues - Curitiba(PR)

Data: 01/09/2017 às 07h21min - Atualizada em 01/09/2017 às 07h21min
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Hoje, quero contar para vocês a história da paranaense Dalva Scharnoveber. Ela tem 35 anos e é casada já há 20, com Airton Knopik. Ela é a mãe dos meninos: Wesley Kauan, de 15, Adrian, 11, e Alison Knopik,9 anos. Dalva, nasceu na Lapa e desde menina, sempre foi ligada a arte da culinária. Tanto que, desde muito cedo, ou seja, aos 13 anos, começou a trabalhar em restaurantes. Aos 15, ao vir morar em Curitiba, ela teve o primeiro emprego formal. E adivinhem em qual área de trabalho ela teve a primeira assinatura profissional na carteira? Acertou quem disse, “em um restaurante”. 



Com o passar dos anos, Dalva foi aprimorando os conhecimentos culinários e depois, de mais de 20, trabalhando como empregada, decidiu abrir o próprio negócio.



Primeiro apostou numa lanchonete.  Embora os negócios estivessem indo bem, ela não estava totalmente satisfeita.  Mesmo que a atividade estivesse relacionada com o paladar, não era esse o cardápio que Scharnoveber gostaria de continuar a oferecer para clientela, “Eu gostava de trabalhar e administrar a minha lanchonete, recebia muitos elogios dos clientes, mas o que eu queria realmente era mexer com a culinária diretamente”, disse.



Então, em 2015, a mulher que um dia menina, começou uma carreira despretensiosa na cozinha de restaurantes alheios, agora dava os primeiros passos com o próprio. “Eu estava sentindo falta, eu gostava muito de preparar todos os alimentos da lanchonete, mas o meu coração estava ansioso por voltar à cozinhar e retomar o trabalho mais direto com a culinária, eu amo isso” (risos), afirmou.



Geralmente somos nós, os repórteres, os jornalistas, os contadores de histórias, que fazemos as perguntas. Mas ao tocarmos no trabalho social que ela desenvolve no restaurante, o surpreendido fui eu.



No meio da conversa, ao me contar da importância do lado humanitário, ela fez a seguinte pergunta: “Você sabe o que é sentir, passar fome e ter sede?”. Por mais neutro que você queira ser, por mais imparcial que você seja inerente ao envolvimento emocional com o entrevistado, pessoas que sentiram na pele o grau dessa dificuldade, o ressoar dessa interrogação nos remete aos anos em que os campos não eram tão floridos como hoje.



Oriunda de uma família muito humilde financeiramente, ela teve uma infância bem pobre. No momento em que a pergunta foi exposta, pude ver a emoção nos olhos de Dalva. Talvez, porque, numa fração de segundos, sua mente rebobinou e a levou em algum lugar daquele passado dificultoso.



Então, com a voz um pouco estremecida, ela falou: “A dor a gente sente, mas logo passa. A fome e a sede, não! Elas ficam ali, latentes e anunciando que querem ser saciadas. Na minha infância, elas estavam sempre ali, batendo a porta”. 



Após essa resposta, eu quis conhecê-la mais, quis saber quem era ela além do restaurante. Quem é a Dalva? Voltei a questionar. Ela me olhou e com intrepidez respondeu, “Sou uma pessoa teimosa, persistente e que nunca desiste, não desiste nunca, não mesmo”. Questionei outra vez, e a Dalva fora do expediente de trabalho, como é? Sem titubear e com uma resposta suave falou, “Amo estar com a minha família, todo o meu tempo disponível é deles”.



Percebi que no coração de Dalva, havia muita esperança e amor fraterno. Então, lancei a seguinte indagação: Você é uma pessoa que transparece ter muita fé, tanto que batizou o seu restaurante de “Sagrado Coração”, e se Deus, “O Sagrado”, dissesse que hoje iria realizar um desejo seu, o que você pediria a Ele? Dalva fechou os olhos, respirou fundo, houve segundos de silêncio que pareciam uma eternidade. Então, no entoar de uma voz serena, o silêncio foi quebrado com a seguinte resposta: “Que os corações da humanidade se enchessem de paz”. E qual a sua frase favorita? “Tudo posso naquele que me fortalece”.



Ainda inquieto, a provoquei um pouco mais. Dalva se você estivesse agora, ao vivo numa rede de TV e Rádio, conectada na internet, qual seria o seu recado para a humanidade? Sem pensar muito, Dalva respondeu: “Que pudéssemos nos amar mais e ajudar uns aos outros sem querer receber, ou esperar, nada em troca. Se todos que existem no mundo fizesse um pouquinho, esse pouquinho se tornaria muito. E muitos problemas que afligem as pessoas, acredito que deixariam de existir”.



É meus amigos, depois de uma resposta dessas, The End! Até a próxima história.



Redação G1Sul



“Você sabe o que é sentir, passar fome e ter sede?”