por: Jhenifer Lorena Vieira - Curitiba(PR)

Data: 07/04/2017 às 11h40min - Atualizada em 07/04/2017 às 11h40min


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Funcionários da reciclagem da Ação Social de Curitiba estão protestando na manhã desta sexta-feira (7) em frente à sede na rua Eduardo Sprada, no bairro Campo Comprido, em Curitiba. Eles afirmam não receber salário há dois meses, enfrentando situação de calamidade com compromissos atrasados e descaso. Em nota, a Prefeitura de Curitiba negou que o repasse esteja atrasado e que



O protesto aconteceu no início da manhã, sem bloqueio ao trânsito. A maioria dos funcionários que está sem receber integra o Instituto Pró-Cidadania (IPCC), uma ONG vinculada a FAS (Fundação de Ação Social) de Curitiba. Jonas Lima é da equipe de reciclagens e disse à Banda B que não há explicação concreta sobre o salário atrasado. “Trabalho com reciclagem de lixo em Campo Magro, sou no MPC (Movimento Popular Campomagrense), funcionário do IPCC. A Prefeitura faz repasse para o Meio Ambiente, que faz o repasse para o IPCC e, então, a gente recebe. Mas, estamos indo para o terceiro mês e a explicação é que não dinheiro, um joga a culpa para o outro e está assim”, reclama.



Muitos fazem parte da Unidades de Valorização de Recicláveis (UVR), que tem como ponta responsável a Prefeitura de Curitiba. Sob os gritos de “Sessenta dias abandonado, nosso salário atrasado”, Jonas completa falando sobre a falta de responsabilidade social que a atual gestão tem. “São pais de família, uns têm filhos pequeno, luz sendo cortada, aluguel com ordem de despejo, é uma situação muito complicada porque muitos aqui tem sete, dez anos de empresa e não vão pedir a conta para sair sem nada”, desabafou. Com as atividades paralisadas, o mecanismo de separação e reciclagem de lixo ficam em falta na cidade.



Outro descaso, segundo os manifestantes, é a construção de uma obra que acontece dentro da Unidades de Valorização de Recicláveis (UVR), que fica em Campo Magro, na região metropolitana de Curitiba, em um momento de atraso de salário. “Uma obra aqui dentro acontecendo de R$ 80 mil, melhoria no prédio e como que para o nosso salário eles não têm? São sessenta dias e o que eles ficam falando é que vão pagar, falam isso de dois em dois dias”, conta o funcionário Aparecido de Jesus dos Santos à Banda B.



Ainda, segundo os manifestantes, cinco haitianos que trabalham na FAS também estão sem receber – sem familiares, conhecidos ou amigos para supri-los mediante a uma necessidade.



Para que retomem os postos de trabalho, os funcionários estão exigindo o pagamento de dois meses que estão em atraso e uma garantia de que a deficiência não volte a afetá-los.



Visita



O prefeito Rafael Greca visitou a sede da Fundação de Ação Social (FAS) nessa semana, na última quarta-feira (5) para conhecer a atual estrutura da fundação e tratar de projetos e programas desenvolvidos pelo órgão. Ele foi recebido pela presidente Larissa Tissot e outros representantes do órgão, no entanto, em matérias de divulgação não há menção alguma sobre a ausência de pagamentos a funcionários há mais de dois meses de recicladores do IPCC.



Resposta



A Banda B entrou em contato com a Prefeitura de Curitiba que negou atraso nos repasses, alegando que o IPCC atrasou pedido de pagamento:



“Não há atraso nos repasses da Prefeitura de Curitiba para o IPCC, que é o responsável pelo pagamento dos agentes.

O IPCC encaminhou a solicitação de pagamento pelos serviços prestados em fevereiro apenas no dia 24 de março. Após o recebimento, a Prefeitura fez o procedimento padrão para os repasses, o que inclui questionamentos sobre despesas sem a devida comprovação.



As solicitações precisam ser feitas todos os meses. Terminado o procedimento, regular e dentro dos prazos habituais, o repasse de R$ 366 mil referentes aos serviços de fevereiro/17 estão sendo feitos nesta sexta-feira (7/4).

O repasse de janeiro foi feito em 13 de fevereiro. As razões para o IPCC solicitar o repasse na data em que fez devem ser apresentadas pelo próprio instituto”, diz a nota, na íntegra.



 



 



Fonte: Banda B 



Sem salário há dois meses, equipe de recicladores de Curitiba protesta e fala em descaso; Prefeitura nega