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Em plebiscito informal, 95% querem separar o Sul do Brasil


Wanderley Vieira - Curitiba(PR)

Data: 08/10/2016 às 00h15min - Atualizada em 09/02/2017 às 10h24min

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O "sim" venceu com 95,74% a consulta promovida pelo movimento que prega a separação do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná para formar um novo país. A votação, que ocorreu no sábado (1 de outubro), chegou a 386 municípios e somou 616.917 participantes, segundo o movimento "O Sul é o Meu País". Foram 590.664 votos favoráveis à separação e 26.253 (4,26%) contrários. O Rio Grande do Sul teve a maior aceitação, com 97,21% dos votos pelo "sim".



A meta era chegar a 1.191 cidades, segundo o site do Plebisul, como vem sendo chamada a consulta. Foram 1.278 urna de votação. O movimento marcou para 15 de outubro um encontro em Lages, Santa Catarina, que será aberto a quem quiser participar, segundo Douglas Aimoré, coordenador em Porto Alegre. 



A superintendente do movimento no Rio Grande do Sul, Anidria Rocha, explica que novas consultas devem ser realizadas até 2017, antes de dar encaminhamento à pauta. Uma das estratégias é enviar documento completo da consulta a governos (estaduais e federal) e organizações da sociedade civil. "Vamos dar conhecimento", diz Aimoré.



O movimento quer levar a proposta à Organização das Nações Unidas (ONU) após concluir a mobilização. No Rio Grande do Sul, cidades nas regiões do Vale do Caí, Taquari e Serra Gaúcha tiveram maior participação, segundo Anidria. Na Capital gaúcha, 10 mil pessoas votaram.



"O povo não aguenta mais ver esta teta chamada sul alimentando grandes oligarquias. Há 25 anos a gente tenta de vários meios chegar a um senso pacífico para transformar esta realidade", argumenta Moisés dos Reis, presidente da comissão do Plebisul em Porto Alegre.



"Votei pelo sim, penso que nós, aqui do Sul, temos condições de se sustentar e gerar riquezas, hoje geramos impostos e são exportados", alega o gestor de negócios José Bruno Maciel Gonçalves, que mora em Porto Alegre. "O dinheiro vai e não volta para nós. Não tem que separar?", provoca Vilmar Kray, metalúrgico de Novo Hamburgo. 



 



 



O movimento estabeleceu como meta chegar a 5% dos eleitores de cada estado. Em Santa Catarina, foram 272 mil votos e eram buscados 230 mil. No Rio Grande do Sul, alcançou-se 397 mil, e a meta era de 372 mil. Mas no Paraná foram 20 mil votos. "Não é o ponto fraco, faltou organização. A aceitação é enorme entre os paranaenses", garante Anidria. Foram 15 meses de preparação da consulta, com gasto de R$ 100 mil. Em Santa Catarina, chegou a haver ameaça da área de segurança de impedir a consulta, que muitos veem com afronta aleis brasileiras. 



O movimento, segundo Anidria, foi inspirado no livro A independência do Sul, de 1986, lançado pelo advogado Sergio Alves de Oliveira, em Montenegro. Em 1992, "O Sul é o Meu País" foi criado. A superintendente diz que os adeptos se socorrem em Resolução da 1.514, da ONU, de 1960, que trata da Concessão da Independência aos Países e Povos Coloniais. O processo deve ser encaminhado à União de Povos e Nações não Representadas (Unpo) em busca de reconhecimento. 



O promotor responsável pelo Gabinete de Assessoramento Eleitoral do Ministério Público no Rio Grande do Sul, Rodrigo Zilio, afirma que a votação, embora seja permitida, carece de legalidade jurídica e é inapropriada em relação à sua forma. Zilio diz que a consulta popular, prevista na Constituição Federal, não poderia ser convocada por um movimento nessas circunstâncias.



 



Em plebiscito informal, 95% querem separar o Sul do Brasil