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por: Marcio Nato Rodrigues - Curitiba(PR)

Data: 12/06/2014 às 09h25min - Atualizada em 12/06/2014 às 09h25min
..Se depender de Fatboy Slim, a Copa do Mundo terá mais "brasilidade" do que propõe a música oficial da Copa. O DJ britânico vem ao Brasil para nove shows durante o Mundial, começando por Salvador, no dia 13, e encerrando em Brasília, no dia 22. No repertório, uma seleção de remixes clássicos da MPB feitas por ele e por um time de DJs no novo disco "Bem Brasil".

Norman Cook (nome verdadeiro do DJ) conversou com o UOL sobre os shows e a compilação e, mesmo sem criticar diretamente a canção "We Are One (Ole Ola)", com Jennifer Lopez, Pitbull e Claudia Leitte, disse que entende a reclamação dos brasileiros diante da falta de ritmos e de uma expressão brasileira legítima na canção.

"Essa foi uma das razões por eu ter feito esse álbum", ele comenta. "A ideia era fazer com que as pessoas de fora ouvissem a música brasileira de verdade. Eu entendo quando vocês reclamam da música", comentou.

Sua crítica se estende até mesmo ao hino da Copa da África de 2010. Naquela edição, ele afirma, a música africana não foi defendida como deveria. "Eu estive na África do Sul e viajei para conhecer aquela bonita música africana. Quando voltei para os jogos, Shakira estava cantando "This Time for Africa" [na canção "Waka Waka"] e eu disse: isso não é África, não é respeitável com seu povo."



Capa da compilação de remixes "Bem Brasil"

No mundo de Fatboy Slim, Jorge Benjor cai na rave com "Taj Mahal", Gilberto Gil curte um drum n'bass com "Toda Menina Baiana" e "Maracatu Atômico" e até Elis Regina se joga na pista com o libelo contra a ditadura "O Cavaleiro e os Moinhos", de João Bosco e Aldir Blanc --de longe, a melhor do disco e a preferida de Fatboy Slim.
"Eu acho que a Elis Regina volta à vida nesse remix. Seu canto é tão emotivo. Deu um trabalho, porque não conseguimos algumas faixas com as vozes isoladas, e o da Elis também não tinha sua voz à capella nas masters originais. Mas ainda assim, é a melhor voz de todas."

Habitué do Brasil, Fatboy Slim expõe pelo menos uma preocupação em relação à turnê. "Vou tocar em um shopping center em Salvador e não faço ideia de como vai ser, se vai estar cheio de gente ou se vou ficar no corredor esperando os amplificadores", observa.

O DJ ainda toca em Uberlândia, em Minas Gerais (13 de junho); Cuiabá, no Mato Grosso (14); no estádio do Morumbi, dentro da Casa do Futebol Pelé, em São Paulo (17); em Belo Horizonte (19); em Florianópolis (20) e em Lorena, interior de São Paulo (21). "Amo tocar na Copa. Acho que o clima e a paixão dos brasileiros pelo futebol combinam com a música", diz.

Fatboy Slim não esconde: não fará nenhuma surpresa nos shows. "É o mesmo show. Nós é que vamos ganhar a surpresa do público", avisa, para brincar citando a seleção de seu país. "Surpresa vai ser se a Inglaterra ganhar."

Fatboy Slim remixa clássicos da MPB e alfineta música oficial da Copa