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por: Marcio Nato Rodrigues - Curitiba(PR)

Data: 05/06/2014 às 09h53min - Atualizada em 05/06/2014 às 09h53min
.."Eu quero que as pessoas tenham raiva quando terminar o filme". Paulo Sacramento não é um diretor de meias palavras. Com seu novo longa, "Riocorrente", o responsável pelo excelente documentário "O Prisioneiro da Grade de Ferro" estreia na ficção sem amarras, com um filme que bebe nas raízes do udigrúdi, o cinema marginal paulistano. "Riocorrente" rompe com as fórmulas tradicionais de narrativa e estética, criando uma experiência que será completa com a bagagem de cada pessoa na plateia. "Não quero o choque pelo choque", continua Sacramento. "Mas não quero indiferença."

Indiferença certamente não é o resultado de uma sessão de "Riocorrente". Em uma narrativa enxuta, o filme acompanha o triângulo amoroso formado por um jornalista (Roberto Audio), um ex-criminoso que tenta se ajustar à vida "legal" (Lee Taylor) e uma mulher misteriosa (Simone Iliescu). Mas essa é a superfície, já que Sacramento pincela a narrativa com símbolos, metáforas e alegorias sobre o determinismo de nossas escolhas, as consequências de nossas ações e natureza do mal.

Não é ao acaso que o personagem de Lee Taylor é acompanhado por um menino (Vinicius dos Anjos) chamado no filme de Exu. "Cada elemento representa parte de minha experiência como cineasta, de ideias que eu acumulei", explica o diretor. "Eu amarrei as coisas que são importantes para mim e para a minha formação e o resultado é 'Riocorrente'".

A herança do udigrudi é forte e Sacramento cresce os olhos ao ouvir que em seu trabalho há semelhança estética e narrativa com "Filme Demência", que o diretor Carlos Reichenbach lançou em 1985. "Fico feliz com a comparação, 'Filme Demência' é um dos melhores filmes que eu já vi", empolga-se. "Quando tive aula com o Carlão, a primeira coisa que eu fiz foi pedir um roteiro do filme. E foi o primeiro roteiro que eu li".

Reichenbach, que morreu em 2012, foi um dos principais criadores do cinema marginal e uma das grandes influências na geração de Sacramento. Assim como "Riocorrente", "Filme Demência" também segue a vida de uma pessoa comum envolvida em questionamentos incomuns --o que é amplificado pela narrativa lúdica.

"Quero que as pessoas tenham raiva do filme", diz diretor de "Riocorrente"