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por: Marcio Nato Rodrigues - Curitiba(PR)

Data: 14/05/2014 às 08h43min - Atualizada em 14/05/2014 às 08h43min
.."Sob a pele", que estreia no Brasil nesta quinta-feira (15), mostra Scarlett Johansson sem roupa e envolta em erotismo sombrio. Não só no drama psicológico estão as sombras. Elas também aparecem, literalmente, no primeiro nu frontal dela no cinema. Quem divulgou as cenas de nudez total na internet aumentou o brilho no editor de imagens. No filme, é tudo menos evidente. Scarlett e o filme têm mistério maior que uma simples captura de tela.

O diretor londrino Jonathan Glazer oferece um suspense que intriga na forma e entedia no conteúdo. Scarlett é Laura, jovem que conquista e mata moradores do norte da Escócia. A maior parte das quase duas horas de filme enfileira as ocasiões semelhantes em que ela atrai suas presas. Há pouco diálogo. Cenas bizarras contrastam com a nudez: uma formiga em close, um homem que implode, um cadáver que chora, nada com explicação imediata.

O longa mistura realismo e surrealismo. Parte é quase documentário. Algumas cenas em que Scarlett convence homens a entrar em sua van são verdadeiras, com câmera escondida nas ruas da Escócia. A "pegadinha da Johansson" leva a trechos ficcionais, cheios de efeitos, que representam a execução das vítimas. Também há nu frontal masculino, mostrando o outro lado da sedução de Laura, com homens indefesos e aterrorizados.

O roteiro é adaptação livre do romance de mesmo nome, de 2000, do holandês Michel Faber.
Quem buscar no filme apenas uma história sensual com Scarlett – uma versão animada das fotos pessoais da atriz nua que vazaram em 2011 – vai fazer papel de bobo, assim como os escoceses ironizados no filme. A trama é arrastada, e a nudez é mais perturbadora que sexy.

Diretor de clipes

O estilo não é novidade na carreira de Glazer. Ele dirigiu o elogiado "Sexy beast" (2000) e o polêmico "Birth" (2004), que mostrou Nicole Kidman tomando banho e beijando um menino de dez anos. Também são dele videoclipes de Jamiroquai, Radiohead e Blur. As cenas impactantes e perturbadoras podem ser creditadas à segunda parte do currículo.

A representação das mortes pode ser encarada como metáfora engraçada, ou ficção horripilante. Além da inventividade visual, há pouco drama para preencher um longa. "Sob a pele" renderia um clipe sensacional de cinco minutos. Trechos da sedução com câmera escondida, dos crimes surreais e a revelação final surpreendente seriam facilmente adequadas ao tempo e ao estilo de uma música do Radiohead.

Grã Bretanha X EUA

Curiosamente, "Sob a pele" agradou britânicos e irritou norte-americanos. Entre as piores críticas estão do "New York Post", "New York Observer" e "New York Daily News". Os britânicos "Time Out London", "The Guardian" e "The Telegraph" deram nota máxima.
O longa é "tedioso e pretensioso" para o "New York Post" e "sublime" para a "Time Out London". No meio termo está a "Empire", revista inglesa mais próxima a Hollywood: "Frustrante e hipnotizante, chato e inquietante".

'Sob a pele' tem Scarlett Johansson nua e erotismo sombrio