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por: Marcio Nato Rodrigues - Curitiba(PR)

Data: 29/11/2017 às 10h31min - Atualizada em 29/11/2017 às 10h31min
.. A pequena Nicarágua, um País localizado na América Central, ocupa uma área territorial de 130 000 km², na qual vivem um pouco mais de 5,7 milhões de habitantes. Esse país é menor que o estado do Paraná, tanto, quanto ao que se refere ao espaço territorial, quanto a quantidade de habitantes. Mesmo assim, no começo da década de 20, enfrentou de igual para igual àquela que viria ser a maior potência bélica do mundo. A Nicarágua sofreu os duros ataques imperialista do governo norte-americano. E isso, meus amigos, bem antes do início da famosa e longa Guerra Fria. O quê? Não sabe o que foi a Guerra Fria? Eu explico. Esse foi um período de disputa da hegemonia geopolítica no mundo entre os Estados Unidos da América – EUA, e a extinta União das Repúblicas Socialistas Soviética – URSS. Essa briguinha de Ego entre essas duas potências seguiu após o fim da Segunda Grande Guerra Mundial. O agravante nisso tudo, é que por causa dos joguinhos de estratégias dentre esses dois gigantes, o mundo inteiro, principalmente a América Latina, até o fim da década de 80, sofreria os duros impasses desse embate mental entre essas duas super nações.

Mas se os norte-americanos pensaram que iam chegar chegando e se apoderar da Nicarágua assim tão facilmente igual se toma doce da mão de criança – vamos rir e descontrair um pouco nesse texto – ha ha ha, caíram do cavalo. Para o azar dos estadunidenses entre as décadas de 20 e 30 do século passado, um filho de camponês, o revolucionário nicaraguense Augusto Sandino, já estava por lá. Ele foi o desbravador a se levantar para enfrentar sem qualquer temor a força bélica dos Estados Unidos, nos assuntos internos dos países latino-americanos. É moçada, o “man” não tremeu na base não.

Esse tal de Sandino, ainda adolescente, assistiu de perto o sepultamento do general Benjamín Zeledón. Zeledon lutou contra a primeira iniciativa militar norte-americana no país, iniciada em 1909. O general foi morto pelas tropas invasoras em 2 de outubro de 1912. E Sandino, como bom nacionalista, tinha cravado na memória os atos de bravuras de seu general. Meus amigos leitores, quando temos amor a uma causa, a nébula do horror não é suficiente para sucumbir. Então, isso foi o suficiente para que a faísca obstinada da resistência ao invasor do Norte reacendesse naquele momento. À partir de então, iniciava-se a fascinante e cinematográfica história do líder revolucionário Sandino, e porque não dizer um herói, que ainda vive no imaginário da autoafirmação da identidade latino-americana.

A mãe deste guerrilheiro nicaraguense, Margarita Calderón, era muito pobre e sobrevivia como camponesa e empregada doméstica. O pai, Gregorio Sandino, vinha de uma família com um pouco mais de condições. Ele era proprietário de um pequeno lote de terra. Já com a separação dos pais, Sandino trabalhou duro na infância na difícil colheita de café ao lado da mãe na região do Pacífico nicaraguense. Aos 11 anos, Augusto foi viver com o pai.

Entre 1920 e 1923, Sandino foi trabalhar na Guatemala nas plantações da United Fruit, multinacional norte-americana que comercializava frutas tropicais. Como bom nacionalista, começou a questionar “o porquê empresas do país de origem não poderiam exercer esse direito?”, depois, trabalhou também em empresas produtoras de petróleo nas cidades mexicanas de Tampico e Cerro Azul, e foi aí que a jiripoca começou a piar. Nesse emprego, Sandino passou a ter contato com militantes socialistas e anarquistas que estavam vindo embalados pelo clima de mobilização sindical nacionalista criado pela Revolução Mexicana. É meus amigos, o caldo já dava indícios que ia ferver e, não demoraria muito, a água da panela logo ia transbordar.

Aí gente, em agosto de 1925, depois de mais de 13 anos de encheção de saco, submissão ocasionada pela ocupação americana, os nicaraguenses já bolavam uma reação. No entanto, falta um líder que pudesse empunhar a bandeira do País e guia-los com braço forte rumo a liberdade. Achando que tudo estava sob controle, os Estados Unidos resolveram retirar suas tropas da Nicarágua e confiaram seus interesses a grupos paramilitares, nesse mesmo ano. Mas eles não esperavam que em 1926, Emiliano Chamorro assumisse, por meio de um golpe militar o poder, ou seja, deixa eu inventar um ditado aqui amigo leitor: “aquele com o golpe toma, pelo mesmo golpe será tomado”. Vocês acham que ficou bom? Bem, o fato é que depois de um ano, os marines dos Estados Unidos desembarcam de novo na Nicarágua, já que, como crianças birrentas, não reconheciam a legitimidade de Chamorro e queriam outra vez tomar o poder. Mas para o infortúnio dos EUA, em outubro deste ano, Sandino volta à Nicarágua. No dia de Natal, Sandino reúne outros constitucionalistas nacionalista e combatem os invasores com a colaboração das prostitutas que trabalhavam na região portuária da cidade litorânea de Puerto Cabezas.

Sandino e seus colaboradores nicaraguenses, fizeram os nortes – americanos recuarem. Frases de impacto e que traduzia o seu amor pela Nicarágua, ecoava dos fortes pulmões do guerrilheiro. Essas frases não só motivava ainda mais a resistência, mas também fazia afervorar ainda o mais o amor dos cidadãos a pátria. “O amor do meu país eu coloquei em todos os amores e você deve convencer-se de que, para ser feliz comigo, é necessário que o sol da liberdade brilhe na nossa fronte”.

No decorrer de 1927, Sandino seguia de perto o suposto acordo de paz entre o general Moncada e o governo do presidente republicano Calvin Coolidge, que governou os Estados Unidos entre 1923 e 1929. Sandino não se convenceu que a soberania nicaraguense foi respeitada pelo acordo entre os dois países e continuou sua luta pela expulsão das tropas norte-americanas do país.

Agora, o herói nicaraguense não lutaria mais só com os seus poucos nacionalistas. Sandino e sua tropa recebem o apoio incondicional de combatentes estrangeiros de países como El Salvador, Guatemala, México e Venezuela, inclusive do dirigente comunista e estrategista salvadorenho Farabundo Martí. No final de 1928, Moncada é eleito presidente em eleição organizada pelos marines. Tal eleição foi contestada por Sandino.

Entre 1930 e 1932, o Exército Defensor da Soberania da Nicarágua, comandado por Sandino, chegou a possuir em suas fileiras 6 mil soldados. Após uma longa guerra civil, no primeiro dia de janeiro de 1933, a causa sandinista consegue finalmente expulsar as tropas norte-americanas do país e restabelecer o poder a nação nicaraguense. Pela “garrucha” de Sandino, Juan Bautista Sacasa assume a presidência do País, já o general Anastacio Somoza passa a comandar a Guarda Nacional que, no silencio de um quarto escuro, ainda sofre forte influência dos Estados Unidos. Em fevereiro, Sandino firma um acordo de paz com o governo central, mesmo se queixando das perseguições e assassinatos perpetrados pela Guarda Nacional a combatentes do Exército Defensor.

Sob as ordens do embaixador norte-americano, a traição ao herói da pátria se revela. Somoza, como uma cobra de duas cabeças extremamente venenosa, desobedece ao salvo conduto fornecido pelo governo ao líder nicaraguense e arquiteta seu assassinato no dia 21 de fevereiro de 1934, após uma reunião de Sandino com o presidente Sacasa. Covardemente, assim como age os trogloditas de interesses próprios, que sem escrúpulos são capazes de vender a própria mãe pela sede do poder, Sandino é morto por uma bala sorrateia.

Em junho de 1936, “a serpente traiçoeira”, Somoza derruba Sacasa e assume a presidência. Ele e seu filho, traidores da nação, dominaram o governo nicaraguense durante décadas. Em 1939, o presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt, ironizou: “Somoza pode ser um filho da puta, mas é o nosso filho da puta”.

Mas nesses mundo não há ato maléfico que fique impune por muito tempo, o castigado para os traidores pode até ter demorado, mas veio. Anastasio “Tachito” Somoza Debayle, filho do algoz de Sandino, provou do próprio veneno da traição, ele foi derrubado do governo pela FSLN (Frente Sandinista de Libertação Nacional), grupo político que seguiu o ideário político de Augusto Sandino, em 1979. O ditador Somoza Debayle fugiu para o Paraguai, onde foi assassinado, em 17 de dezembro de 1980, por uma bala tão aleidosa quanto a que tirou a vida do herói da Nicarágua.

Sandino, e um pouco mais de seis mil homens, no decorrer daqueles anos, não aceitaram a imposição dos Estados Unidos, que por meio de um golpe tentou dominar o seu “pequeno País”. Ele e os nacionalistas lutaram com fervor e amor a luta de uma nação inteira, buscando a liberdade, dignidade e respeito para o seu povo. Esse ato heroico, faz-me fazer a seguinte pergunta: quantos habitantes temos no Brasil mesmo? Ah! E só para frisar que, enquanto escrevia esse texto, os que estão no poder acima de nós, estão tramando mais um aumento de combustível para empurrar na nossa conta. E a gente o que faz? Nada! Nos tornamos capachos de sanguessugas

Redação G1 Sul com informações da ZonaCurva

Não estaria o Brasil precisando de um Augusto Cesar Sandino?